A fetichização da senhora lésbica

Vocês já perceberam que, normalmente, homem com homem é considerado feio e nojento enquanto mulher com mulher é compreendido com um ato bonito e mais livre às outras possibilidades? Pois é. As pessoas, homens ou mulheres, costumam aceitar mais facilmente a relação entre mulheres devido a sociedade machista em que estamos inseridos. Neste sentido, a mulher não parece ser vista efetivamente como lésbica e sua sexualidade torna-se fetiche, tendo que servir aos desejos masculinos ou de casais. O ménage à trois é um destes casos, pois todo homem sonha em transar com duas mulheres e vê-las interagir sexualmente. Estou mentindo? Então, a mulher lésbica é vista como aquela que também pode ficar com homens e que, portanto, ao ficar com os dois, pode servir de brinquedinho nas vontades alheias. Logo, a gente se depara com a invisibilidade, homofobia e machismo – tudo em um mesmo pacote. Quando duas mulheres se beijam, um homem olha, mostra a língua e segura no saco, mostrando que o convite está aberto ou que mais tarde vai bater uma para celebrar a beleza que se apontou diante dos olhos dele. A atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg formaram um casal lésbico e sabe o que eu ouvi? Que como é que “duas velhas se prestam a fazer um papel desses”, “são duas sem vergonhas”, “numa idade dessas”. Isso me fez pensar no quanto o ser lésbica está relacionado a juventude. É como se depois que envelhecessem, tivessem que se enquadrar no padrão heterossexual. Nesse contexto, as pessoas vêem a homossexualidade feminina como uma moda e isso deslegitima a mulher, tira-lhe a voz, inviabiliza a sua sexualidade. Quando colocaram-me o assédio dos homens às mulheres na X-cania com pedidos de beijo triplo, você vai justamente ao encontro de tudo o que eu disse acima. Inclusive, na festa haviam muitos curiosos que provavelmente acreditam na máxima de que ser lésbica é moda e, por isso, ele entende que pode se apropriar de tais espaços. E apropriando-se, o seu pensamento machista persiste em prevalecer ultrapassando limites alheios em invasões de privacidade e desrespeito à sexualidade da mulher – que, naquele espaço, ela crê ser libertador já que sofre tantos preconceitos cotidianamente. Espero ter esclarecido aos senhoritos e senhoritas sobre o fato de uma mulher sentir atração por outra não é moda, não é um ato para provocar o homem e não é nada do que você pense que não seja uma opção sexual. Assim como as relações heterossexuais são respeitadas, as homossexuais encontram-se no mesmo patamar. Portanto, aprendamos a ter o hábito de não enquadrarmos ninguém em nossa cultura machista e sejamos melhores conosco e com os outros. Por Lu Rosário